Influencie tenha compaixão

Imagem de Amostra do You Tube

Vídeo de divulgação da ênfase da Igreja Batista da Orla Oceânica em 2012.
Música de Brenton Brown – All Who Are Thirsty

 

A Bíblia e a evangelização

“Sem a Biblia, a evangelização do mundo seria não apenas impossível, mas também inconcebível.” John Stott

Se a igreja não leva a sério a autoridade da Bíblia dificilmente levará a sério o evangelismo do mundo. É preciso ter convicção da missão global baseada na revelação Bíblica. Quando Deus chamou Abraão e prometeu abençoá-lo e por meio dele abençoar todas as famílias da terra fica claro que todos aqueles que pertencem a Cristo tem uma responsabilidade na evangelização do mundo, sendo que todos são filhos espirituais de Abraão.

Foi profetizado desde o Antigo Testamento que Deus enviaria o Cristo para resgatar os perdidos, e a este Cristo foi dado toda autoridade no céu e na terra como Ele mesmo deu seu próprio testemunho, e tendo essa autoridade outorgou a seus seguidores que fossem por todo o mundo fazendo discípulos.

A missão global da igreja esta ligada ao fim da Historia onde faz a intermediação entre as duas vindas de Jesus. Completando assim o que foi dito em Mt 24.14, 28.20 e At 1.8 levando o evangelho até os confins da terra. Portanto o mandato bíblico para a evangelização não pode ser ignorado, sendo assim o cristão e as igrejas estão errando por cegueira ou por desobediência.

A Bíblia também é a fonte de toda a mensagem para a evangelização, cabe o cristão e a igreja interpretá-la e não inventá-la. Porque só existe um evangelho (1 Co 15.1), sendo único mas diversificado. O cristão contemporâneo tem o desafio sendo fiel ao texto bíblico em interpretá-lo e ter sensibilidade para uma aplicação a uma sociedade dos tempos modernos. Ser autentico mas ligado ao contexto onde está inserido de forma que a transmissão do evangelho seja eficaz.

Deus usou a sua palavra para evangelizar o mundo e o nosso modelo é o seu exemplo.Ter cuidado em não cair no erro de levar um evangelho cultural, diferente de um evangelho que pode transformar a cultura, ou seja, o cristão deve se identificar sem perder a identidade, Deus se identificou com o ser humano mas não deixou de ser divino.

Numa situação transcultural alguns evangelistas encontram dificuldade em avançar com a pregação do evangelho, porque encontram algumas barreiras, um dos motivos que as pessoas não estão aceitando é o choque em sua cultura, o cristão que não está atento a isso tende a fracassar e a desistir.

É evidente que o na cultura choque não pode ser evitado por ser uma mensagem que confronta diretamente o homem em sua totalidade, mas é preciso está atendo a esses desafios e tentar buscar soluções para conseguir alcançar o objetivo de se fazer Jesus conhecido.

O modelo de evangelismo que a Bíblia apresenta é um modelo de auto-esvaziamento, assim como foi a vida de Jesus, que se esvaziou totalmente deixando a forma glorioso e se tornando carne para cumprir sua missão salvadora. Sem isso não é possível pregar o evangelho verdadeiro.

O mundo contemporâneo é um mundo idolatra, materialista, com diversos sistemas religiosos, superstições. Como disse João “o mundo jaz no maligno”, e essa ação de satanás tem deixado o homem com o coração endurecido, um coração duro e que tem rejeitado o evangelho, satanás que é mentiroso, enganador, tem influenciado de muitos modos o mundo contemporâneo de tal forma que a regeneração do homem é somente por milagre de Deus, o cristão e seus recursos para essa tarefa são limitados, somente pela ação de Deus o homem pode ser transformado, mas a Bíblia concede e esse poder. Como disse Lutero: “Vencido cairá por uma só palavra.” Há poder na palavra de Deus. O ser humano só pode voltar a enxergar por meio da Palavra de Deus.

Não se pode perder tempo discutindo a Palavra de Deus, em vez disso é necessário usá-la. É preciso proclamar o evangelho de forma fiel e sensível, assim Deus irá demonstrar seu poder salvador através da sua Palavra.

 

Joel Morais

A pipoca

A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

 

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa – voltar a ser crianças!

 

Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

 

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! – e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

 

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ – dizia Goethe.

 

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

 

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira… (O amor que acende a lua, p. 59.)

Por Rubem Alves