O Dom da Justiça

Justiça que procede de Deus e se baseia na fé. Filipenses 3:9

Meu, meu, meu! Quando criança, jamais jogaria fora meu brinquedo favorito. Quando jovem não abriria mão de um dos seus principais objetivos na vida, como casamento ou carreira! E quem abriria mão de tudo o que possui hoje, em nome de uma causa maior? Conseguiríamos considerar que nada disso tem valor?

Paulo era um dos jovens mais bem sucedidos na sua comunidade. Ele tinha as credenciais certas por nascimento, recursos, escolaridade e experiência de vida. Ainda assim, ele estava disposto a considerar que nada daquilo tinha valor. Por quê? Certamente não foi por uma vida mais fácil, nem por fama ou glória. Ele sabia que abrir mão de tudo aquilo era a única maneira de receber a justiça de Deus através da fé em Cristo. Foi disso que Jesus falou quando disse: “Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna.” (João 12:25)

Estamos apegados a algo que nos impede de receber o dom da justiça de Deus por meio da fé em Cristo? Esse dom inclui o perdão dos pecados, uma nova vida de serviço ao Senhor, e vida eterna. Tudo o que temos, ou que gostaríamos de ter, não é nada perto desse dom. Se recebermos a Deus como Senhor, receberemos o dom da justiça.

Ore:
Rei das nossas vidas, ensina-nos o que significa considerar que todas as coisas não têm valor para que possamos receber a justiça de Jesus Cristo através da fé nele. Amém.

Pense:
Tudo o que temos, ou que gostaríamos de ter, não é nada perto do dom da vida em Cristo Jesus.

Esperança para a Índia

Shunii é uma divindade do mal. Todos os sábados, os devotos devem lhe depositar oferendas, quase sempre na forma de alimentos como frutas, verduras e arroz. Essa é a única maneira de aplacá-lo e assim evitar suas ações maléficas. Não é difícil encontrar Shunii – sua figura grotesca, pintada de azul, ornamenta pequenos altares instalados em esquinas, ruas e praças na índia, tanto nas grandes cidades como nos pequenos vilarejos. Famílias inteiras saem em procissão até os nichos com imagens de Shunii, que são fabricadas e distribuídas aos borbotões pelo país. às vezes, é preciso recorrer aos serviços de um guru, que recebe donativos para oficiar cerimônias em homenagem à entidade. Feito o culto, as pessoas podem voltar sossegadas às suas casas, pois consideram-se a salvo dos infortúnios que podem ser provocados pela ira do deus mau. Pelo menos, até a semana seguinte, quando será preciso repetir o rito.
Assim como Shunii, dezenas de milhões de divindades são veneradas na índia, uma nação com 1,1 bilhão de habitantes. Cerca de oitenta por cento dessa imensa população declara-se seguidora do hinduísmo – muito mais que um sistema religioso, trata-se de um conjunto de crenças, tradições e superstições tão diversificado como o povo indiano. Lá, convivem centenas de etnias e fala-se nada menos que duas mil línguas e dialetos. A presença cristã, minoritária, desperta sentimentos que vão desde a intolerância ao ódio puro e simples, expresso em atentados religiosos que vêm aumentando no país. Embora pratique um regime democrático e disponha de tecnologias avançadas, a índia é uma nação que se rege por tradições ancestrais inalteradas em pleno século 21. A sociedade é dividida nas chamadas castas, sendo a maior delas a dos párias, reunindo indivíduos que vivem na pobreza absoluta e sequer devem ser tocados. Acredita-se na lei do carma, segundo a qual os sofrimentos são resultado de maus atos praticados em vidas anteriores. Por isso, os hindus devem conformar-se com seu destino, pois seria impossível mudá-lo, e aguardar melhor sorte num ciclo sucessivo de reencarnações.
Pois foi diante deste quadro de obscurantismo espiritual que a missionária brasileira Ana Maria Miranda Sarkar se deparou quando chegou pela primeira vez à índia, em 1996. ‘Aquele era um mundo novo e assustador para mim. Fiquei perplexa com o semblante das pessoas, que pareciam acuadas’, lembra a carioca de 43 anos, que lidera o ministério Harvest Today (Colheita Hoje), uma organização não-governamental de orientação evangélica instalada em Dakshin Barasat, a 50 quilômetros de Calcutá – cidade indiana com mais de 16 milhões de habitantes e todas as mazelas de um mega-aglomerado urbano de Terceiro Mundo. Harvest Today é a concretização de um sonho missionário de Ana Maria e hoje atende mais de 300 famílias carentes, prestando assistência na área educacional e de saúde.
Criada no Evangelho, Ana Maria teve trajetória semelhante à de boa parte dos adolescentes e jovens crentes. ‘Eu vivia mais pela fé de meus pais’, lembra. Até que, aos 19 anos, o encontro genuíno com Cristo acabou mudando o rumo de sua vida. Após um período de intensas atividades na igreja que freqüentava, Ana sentiu um chamado missionário. ‘A princípio, acreditei que deveria seguir para a França’, conta. A fim de se preparar devidamente para a obra, ela fez cursos na área de missiologia, estudou idiomas e especializou-se em enfermagem. Mas seu campo não seria a iluminada Europa, e sim, uma das regiões mais pobres do mundo. ‘Certa vez, folheando uma revista, vi uma foto chocante. Mostrava uma criança indiana miserável, chorando ao lado do cadáver da mãe.’ A partir dali, ela começou a buscar a orientação do Senhor e orar pela índia. ‘Deus revelou que me daria aquela nação como herança’, frisa a missionária.

‘Escravidão ao diabo’ – Depois de um período no Reino Unido, afiando o inglês, Ana foi ‘espiar a terra’. Passou três meses na índia, fazendo contatos com cristãos locais e estudando a melhor maneira de iniciar um trabalho social e evangelístico no país. A questão legal foi uma primeira barreira. Embora tenha se apresentado como profissional de saúde disposta a auxiliar a população local, só mesmo um milagre, no entender dela, tornou possível a obtenção de um visto para cinco anos. ‘Isso é muito raro de acontecer’, diz. Ligada à Igreja Presbiteriana Betânia, de Niterói (RJ), ela foi enviada definitivamente como obreira comissionada e instalou-se em um apartamentinho alugado em Calcutá. ‘Eu não conhecia ninguém ali e não falava nada em bengali. Caminhava pelas ruas, contemplando a dura vida que as pessoas levavam. Era de apertar o coração.’ Sem saber exatamente o que fazer, começou a pedir a Deus que enviasse pessoas até ela. A súplica foi atendida na pessoa de Manju, uma adolescente que veio em busca de trabalho. Manju, paupérrima, vivia numa aldeia próxima. ‘Ela acabou ficando. Fazia pequenos serviços domésticos, comia comigo e me observava atentamente’, conta Ana.
A garota acabou se tornando o primeiro fruto do trabalho da missionária. ‘Em pouco tempo, ela aprendeu um pouco de inglês a partir das nossas conversas e de alguns dicionários de bengali que eu tinha. Um dia, comprei uma Bíblia em sua língua e dei a ela.’ Ana Maria explica que o processo de evangelização de um indiano é longo e trabalhoso. ‘Não é nada fácil para uma pessoa que pratica o panteísmo aceitar que deve adorar um só Deus’, explica. ‘é preciso conquistar sua confiança e desenvolver uma amizade.’ Pois foi com esta fórmula que Ana levou Manju à conversão a Cristo. Logo depois, surgiu um rapaz interessado em aprender inglês. Percebendo a oportunidade, a missionária abriu um curso que atraiu outros jovens. ‘Um belo dia, quatro meninas maltrapilhas bateram à porta mendigando comida. O estado delas era deplorável, tive que controlar a ânsia de vômito’, admite. Mesmo contando apenas com a bolsa mensal de US$ 1 mil fornecida por sua igreja e ofertas eventuais, Ana Maria comprou-lhes roupas, um kit básico de higiene e comida.
Em pouco tempo, o apartamento já abrigava o curso de inglês, uma escolinha bíblica para crianças e uma improvisada clínica. Cada vez mais pessoas apareciam em busca de ajuda material – mas uma outra clientela chamou a atenção de Ana Maria: a de mulheres desesperadas com a própria realidade. ‘As meninas, principalmente, sofrem muito na sociedade indiana. A cultura local privilegia a figura masculina. As mães que têm filhas são discriminadas; afinal, meninas são um peso para suas famílias, que precisam pagar dotes aos futuros maridos.’ A obreira brasileira conviveu com crianças abandonadas, mulheres violentadas e esposas espancadas pelos próprios companheiros. ‘Ao contrário do que muitos ocidentais imaginam, os indianos não vivem naquela aura de espiritualidade exótica. O que existe é escravidão ao diabo, mesmo. O número de suicídios é enorme, assim como o de mortos pela fome e por doenças. O cheiro de corpos cremados é horrível’, afirma.

Passo de fé – Quando começou a visitar as famílias de ‘suas meninas’, como faz questão de dizer, Ana conheceu a aldeia de Dakshin Barasat, que se tornou uma espécie de cabeça de ponte de seu ministério. Ali, em meio à carência generalizada, ela encontrou espaço para montar uma clínica e uma escola. Os habitantes, muitos dos quais jamais haviam tomado um antibiótico, aglomeravam-se à porta. ‘Havia muito o que fazer. Eu dava vitaminas, fazia pequenos curativos, ensinava hábitos de higiene.’ Um médico local, também cristão, foi contratado para os atendimentos mais complexos. Centenas de pessoas apareciam a cada dia. ‘Eu as atendia e orava por todos em nome de Jesus. Logo, a casa ficou conhecida como ‘hospital de Jesus”. àquela altura, uma equipe de obreiros locais, frutos da missão, já colaborava com o serviço. Surgiu uma igreja. ‘Descobrimos estabelecimentos que vendiam comida e remédios mais baratos. Aquecemos até a economia local’, brinca.
Mas além de abrir corações para a Palavra de Deus, o ministério também era um risco para Ana. Grupos de religiosos radicais, tanto hindus como muçulmanos, insatisfeitos com o florescimento do trabalho cristão, passaram a intimidar a missionária. Um dia, no trajeto entre Calcutá e a aldeia, Ana Maria foi jogada do trem. ‘Só não fiquei paraplégica por milagre, pois fraturei várias vértebras’, conta. Sem ninguém para socorrê-la – o hinduísmo inspira nas pessoas um fatalismo que beira a indiferença –, ela se deslocou sozinha até o hospital mais próximo, muitos quilômetros e estações depois. Com a saúde e o ânimo abalados, ela confessa que pensou em desistir. ‘Os medos que me assaltaram na minha chegada à índia voltaram com mais força. Mas sentia o Senhor confirmando meu ministério naquele lugar’, lembra, emocionada.
De volta ao Brasil para um período de recuperação, Ana Maria foi informada de que sua igreja não a manteria mais. ‘Meu pastor, temendo por minha vida, disse que eu não voltaria sob sua responsabilidade.’ O jeito foi tomar uma atitude de fé e retornar mesmo sem garantia de sustento, já que as ofertas que apareciam não seriam suficientes para manter tudo funcionando. Mas a providência divina veio na forma da solidariedade de um alto funcionário do governo indiano, já aposentado, que conheceu o trabalho da brasileira e ofereceu-lhe apoio para institucionalizar o ministério. ‘Até então, funcionávamos em uma base improvisada. A legalização nos capacitou a fazer convênios com outras entidades.’ O retorno à terra que passou a amar também teve outras surpresas para Ana. Um cristão que a conhecera havia mais de três anos a pediu em casamento. ‘Relutei um pouco’, conta, meio encabulada, ‘mas percebi naquilo a vontade do Senhor para minha vida.’ A união com Malay Sarkar proporcionou a Ana a cidadania indiana e a garantia da permanência no país. ‘Antes, era preciso sair e retornar para renovar o visto, um processo cansativo e dispendioso. Agora, isso acabou’, comemora.
A trajetória de fé de Ana Maria a tornou conhecida e requisitada. Ela já esteve nos Estados Unidos, na Europa e até no Japão falando de seu trabalho. Em todas as ocasiões – como na temporada que passou no Brasil, entre dezembro de 2007 e março deste ano, visitando a família e percorrendo igrejas de vários estados –, fala da urgência do trabalho missionário entre povos não-alcançados e busca patrocinadores para Harvest Today. Pelo sistema da missão, é possível sustentar uma criança, dando-lhe educação, moradia e alimentação, com cerca de R$ 30 mensais. ‘Aqui, pode ser pouco, mas na realidade da índia, é muito’, revela. Mais que auxílio, os assistidos pela missão ganham uma esperança. Para gente como a jovem Manju e milhares de outros indianos para quem o ministério de Ana representou a diferença entre a vida e a morte, Shunii e os milhões de deuses do panteão hindu não representam mais uma ameaça – pois eles, agora, podem descansar à sombra do Onipotente.

Fé em ação

A missão Harvest Today (Colheita Hoje) é um complexo de ação social e evangelística instalado na periferia de Calcutá, na índia. Além de Escola Maranata de ensino fundamental – onde 300 alunos de tempo integral recebem três refeições diárias –, a entidade mantém uma clínica que atende cerca de 250 famílias da região. Há ainda cursos de inglês para crianças e jovens, núcleo de atividades comunitárias e uma igreja, a Casa Betânia. A missão abriga também cerca de 30 meninas e adolescentes rejeitadas pelas famílias. Atualmente, a missão conta com 26 obreiros de tempo integral e também com voluntários indianos e estrangeiros.
Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da missionária Ana Maria Miranda Sarkar e de Harvest Today pode fazer contato pelo e-mail ana_harvest@yahoo.com ou com a coordenadora no Brasil, Ormi Sardenberg, pelo e-mail ormisardenberg@ig.com.br

Fonte: Cristianismo Hoje

Por que está abatidas, ó minha alma?

SALMOS 42
Como a corça anseia por águas correntes,a minha alma anseia por ti, ó Deus.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?
Minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite,pois me perguntam o tempo todo: “Onde está o seu Deus?”

Quando me lembro destas coisas choro angustiado. Pois eu costumava ir com a multidão, conduzindo a procissão à casa de Deus, com cantos de alegria e de ação de graças entre a multidão que festejava.
Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus!Pois ainda o louvarei; Ele é o meu Salvador e o meu Deus[72]. A minha alma está profundamente triste; por isso de ti me lembro desde a terra do Jordão, das alturas do Hermom, desde o monte Mizar.
Abismo chama abismo ao rugir das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e vagalhões se abateram sobre mim. Conceda-me o Senhor o seu fiel amor de dia; de noite esteja comigo a sua canção. É a minha oração ao Deus que me dá vida. Direi a Deus, minha Rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que devo sair vagueando e pranteando, oprimido pelo inimigo?
Até os meus ossos sofrem agonia mortal quando os meus adversários zombam de mim, perguntando-me o tempo todo: “Onde está o seu Deus?”
Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus.

As estatísticas são assustadoras quando tratam do número de suicídios no meio da juventude. As razões são várias: desajustes emocionais, pressão social, atritos familiares, perda de alguém amado, desinteresse pela vida, etc. Resultado: vidas tolhidas, cortadas nos seus momentos mais férteis, esperanças arrancadas, potenciais inutilizados. Quando o salmista fez essa pergunta (Sl. 42), ele vivia momento semelhante: exilado, distante do templo e de Jerusalém, longe de tudo que lhe era precioso e importante. Para ele a vida havia perdido o sentido, a angústia era sua companheira; as lágrimas, seu alimento. Em meio a essa situação, vem a resposta para o seu consolo, para o seu ânimo. Interessante que a resposta vem da sua própria boca, da sua própria memória, da lembrança do Deus que socorre, que atende, que levanta: “espera em Deus, pois ainda o louvarei, a Ele, meu auxilio e Deus meu.” Se hoje você vive um quadro semelhante, lembre-se de Deus, do Seu amor e da Sua presença. Lembre- se de que Ele está sempre perto, atento e pronto para abraçar, ajudar e consolar você. Por maior que seja a sua dor, profundo o buraco, difícil a situação você pode certamente dizer como o salmista: “meu auxílio e Deus meu”.